COLOMBIA - PARTE I, II, II, IV, V, VI
 

Futsal Concept Explanation
by Coach Zego

COLOMBIA - PARTE I
Levantavamos eu e o meu amigo Alvaro Guevara bem cedo para o nosso café da manhã ou desayuno. O roteiro era pelas manhãs idêntico todos os dias. Bogota era uma cidade extremamente confusa no começo da década de 1980, onde locomover-se era uma interessante aventura diária. Saíamos todas manhãs e nos dirigiamos a alguma Escola ou Colégio. Conosco levávamos nos braços as bolas. Um saco de bolas.
Toda manhazinha e pela noite ao retornar a casa de Alvaro, este comunicava-se com nosso sempre alegre e folclorico amigo, conhecidissimo em todo país, Presidente da Federação Dom Jayme Arroyave. Alvaro relatava a Dom Jaime a programação desse dia e quando retornavamos tarde da noite o ocorrido durante aquela jornada de trabalho.
Íamos a todos lugares em pequenos onibus que ligavam os bairros e centro da cidade. Viajar nesses coletivos significava passar momentos de desconforto mas abundantemente curiosos e divertidos.
Nas maiores avenidas dessa cidade chamada carreras não havia locais propios para os mini onibus deterem-se e recolherem ou baixarem os passageiros. Aquilo era uma confusão total.
Alvaro erguia a mão e os dois corriamos a caça de nosso transporte no meio da avenida desviando-nos de carros e pessoas. As vezes tinhamos de ir a última pista do lado esquerdo para alcançar e poder adentrar aquele veículo. Eram coloridos por fora e por dentro. Possuíam uma porta apenas para por ela entrar ou sair passageiros. Terrível .Eu ria e Alvaro vendo-me rir ria também. Por dentro daquele curioso meio de transporte em som alto e com passageiros bailarinos exprimidos e alegres escutava-se ritmos de música colombiana. Adultos e até crianças moviam com graça seus corpos ao som da canção. Risos.
Depois de visitar-mos várias escolas e colégios treinando crianças e adolescentes onde fosse, finalizavamos sempre, entre o início as 18 até as 21 horas todos os dias com a Equipe da fábrica de roupas esportivas Saeta do amigo Pedro Carrero. Miudos pequenos e adultos de bom nivel. Impressionava-me a qualidade deles. A quadra era descoberta e o piso de asfalto. Havia poucos ginasios cobertos em Bogotá. Raríssimos. No frio e mesmo em dias chuvosos não faltava ninguém dos miudos e adultos. Havia que ver a alegria daquelas crianças jogando na chuva.
Eu e Alvaro Potasio ex atleta da Seleção Colombiana terminavamos ja tarde da noite verdadeiramente exaustos, muitas vezes molhados mas felizes. Na volta um táxi nos ajudava a chegar mais cômodos e rapidos ao lar do amigo Alvaro.
ESTAR EM UM LUGAR E NAO CONVIVER COM O POVO DESSE LUGAR, VOCE POUCO CONHECERA E APRENDERA. VOCE PERDERA UMA GRANDE OPORTUNIDADE E NAO DESFRUTARA DO QUE ESSE LUGAR TEM DE MELHOR A LHE OFERECER.

COLOMBIA - PARTE II
Dom Jayme Arroyave era uma pessoa conhecidissima dentro de seu país. Onde fosse era reconhecido e respeitado. Eu era o primeiro a admira-lo. Este senhor havia estado trabalhando muitos anos no futebol de campo do Milionários de Bogotá e conquistado varios títulos por esse prestigioso clube.
Certa vez viajando ao Brasil e pouco antes de sua aeronave aterrissar em São Paulo, observou através da janelinha do avião, quadras abertas e vários atletas atras de uma bola. Em sua permanência no Brasil tomou contato e procurou informar -se sobre o jogo em espaços reduzidos chamado no Brasil de Futebol de Salao. Ao regressar a Colombia levou consigo o regulamento do jogo e contatos para poder posteriormente afiliar-se a Federação Sulamericana de Futebol de Salão.
Em todas cidades colombianas havia um parque público com uma quadra aberta para o basketball. O piso de asfalto era duríssimo mas era o que havia. Essas quadras foram adaptadas e o Salão explodiu em adeptos. Foi realmente um boom impressionante. Os torneios multiplicavam-se.
Contudo, infelizmente, a Federação Colombiana e patrocinadores nunca esforçaram-se de verdade em organizar um campeonato oficial de hierarquia. Um campeonato maior de clubes tal qual existia nos demais países sulamericanos. A Colombia devido a isso participava do Campeonato Sulamericano de Selecoes Nacionais mas não de Clubes Campeoes.
Os atletas adultos a partir das 18.30 horas jogavam 3 ou até 4 partidas noturnas em vários torneios comerciais e com diferentes equipes por um valor em dinheiro em cada jogo.
Assim faziam 6 dias por semana. Depois de alguns anos suas condições físicas eram lastimaveis.
Havia uma enorme paixao. Havia talento humano por todas partes. Talento esse que em poucos anos tornava-se inutilizado. Tudo isso era e sempre foi incompreensivel para mim. Eu buscava argumentar mas infelizmente pouco interesse havia.

COLOMBIA - PARTE III
Dom Jaime passou a ser conhecido como o pai do Micro, nome popularmente designado ao Futebol de Salão. O jogo chegava a todas províncias do país. Dom Jaime era muito sério com as pessoas que não conhecia mas com Alvaro, kike de Medellin e comigo era extremamente divertido. Uma criança. Alvaro contou-me uma de suas muitas historias. Quando este senhor treinava o juvenil do Milionários, em uma partida final onde o jogo estava por terminar, o árbitro apitou um penalty inexistente contra o Milionarios. Ao entrar em campo e reclamar com o senhor colegiado nosso amigo sentiu -se mal e foi acometido de um ataque cardíaco. Os atletas o conduziram ao ônibus para levá-lo ao hospital. Ao deita-lo em um banco dentro do transporte este maluco surpreendendo a todos
deu a ordem. Venha vamos todos embora. Foi um falso ataque cardíaco mas tão bem interpretado que até seus atletas teriam acreditado. Nunca mais esse jogo foi finalizado e o penalty batido.
Dom Jaime enviava-me a dar cursos para treinadores por todo o país e era raríssimo ir em avião. As viagens eram intermináveis, os passageiros subiam dentro dos ônibus coloridos até com bicicletas e quando no interior não coubesse nada ou ninguem mais subiam acima até mesmo com animais ou frutas ou sacos de batata. O valor da passagem era acertado na hora entre o condutor e o ou os passageiros. Aquele meio de transporte creio foi inspirado na Arca de Noé. Em seu interior entrava tudo é todos. Por dentro as pessoas sejam sentadas ou em pé nos corredores acomodavam-se como podiam. Eram extremamente gentis uma com as outras e para as crianças sempre havia um colo disponível principalmente o meu.
Desde Bogotá ou você descia a Cordilheira ou você subia ainda subia um pouquinho mais. Os motoristas nada deviam aos pilotos do Rally Paris-Dacar em termos de ousadia. Eu subia e deixava minha vida em mãos divinas.

COLOMBIA - PARTE IV
Quase todas as noites eu terminava o dia em Bogota com os meninos do sub 10 e logo após com a poderosa equipe adulta, ambas do SAETA. Esses dois grupos esbanjavam vontade e qualidade. Dom Pedro Carrero esforcava-se ao máximo e de forma solitária para brindar a equipe o melhor dentro de suas possibilidades. SAETA era e ê atualmente grande marca em confecção de roupas esportivas.
A equipe adulta era modelo na Colombia de então e sem dúvida referência para todos. A melhor equipe da decada de 80. Rapazes com uma humildade singular e quanto aos miudos, garotos sempre alegres e também muito hábeis no manejo da bola. A destreza
dos atletas dos dois grupos era de encher os olhos e provocavam em mim e Mario Carrero treinador sorrisos de admiração.
Eram horas para mim muito agradáveis em treinos ou vendo-os jogar.
Sempre eu levantava cedo pois havia que estar em muitos lugares pela manha, tarde e noite. Um terço do tempo ou mais eu perdia em locomover-me e lograr chegar sempre antes aos compromissos.
Naquela cidade e naquele país de tédio é impossível morrer. Certa vez Alvaro nao pode ir comigo e na principal avenida de Bogota, a carrera setima, levei um susto que me deixou simplesmente congelado. Petrificado. Paralisado. Havia um matodouro de bois na proximidade e criação de touros também para a época das touradas. Caminhando pela carrera escutei um ruído estranho atras de mim. Quando volteio me deparo com um enorme chifre e cabeça de touro passando a poucos centímetros de meu rosto. O enorme animal desvia-se da calçada em alta velocidade e parte para o centro da avenida onde os automóveis brecavam bruscamente. O truculento animal com dribles de corpo incríveis foi desaparecendo de minha visão correndo pela avenida abaixo. Jamais imaginei que a cabeça de um touro e seus chifres fossem tão enormes e tão assustadores. Naquele dia tive meu dia de Curro Romero, famoso torero andaluz de épocas passadas. Pois sim, na Colombia, sem lugar a dúvidas, pode-se morrer de qualquer coisa mas jamais morrerá de tédio.
Ontem conversando com Pedro Carrero pedi para que me enviasse uma foto da melhor equipe Colombiana da época. Aqui colocarei abaixo.

COLOMBIA - PARTE V
Dom Jaime informou-me que teria que ir a Medellin. La o professor Kike lhe aguardará disse-me Dom Jaime.
Bogotá, Medellin e Cali eram e são as 3 maiores cidades do país. A Medellin Dom Jaime fez-me respirar aliviado ao dar-me a alegre notícia que nesta oportunidade eu viajaria em aviao. Confesso que apesar de gostar das Chivas, nome dado aos onibus intermunicipais e inter-estaduais na Colombia, tinha eu consciencia, dito uma vez mais, de que mesmo sabendo que no futuro eu teria menos aventuras e historias para contar, eu poderia desta feita em aviao ter uma viagem, bem mais, infinitamente mais rápida e comoda.
Finalizando, Dom Jaime elogiou muito ao Professor Kike. LA VOCE SERA RECEPCIONADO E GANHARA UM GRANDE AMIGO.
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Sempre preferi o clima frio e Medellin é cidade alta. Esse foi sem duvida outro detalhe que fez-me sentir melhor. As cidades ao pé da Cordilheira dos Andes e quase ao nível do mar eram de clima extremamente seco e muito quente. Toda minha vida adorei o frio.
Ao chegar a Medellin Kike estava a minha espera. O Campeonato Nacional Juvenis entre provincias era próximo e meu colega foi designado o treinador de Antioquia, que é a Província ou Estado onde localiza-se a cidade de Medellin.
Logo dei-me conta que Dom Jaime estava absolutamente certo. O Professor Kike possuía e ainda possui pelo Salão uma paixão que estava e sempre estara muito presente. Treinavamos a Seleção Juvenil da Província, visitavamos colegios e universidades e junto com o amigo Professor proferimos uma clínica em uma cidade vizinha a Medellin chamada Bello.
A seleção juvenil possuia bom nível técnico e os rapazes eram muito dedicados.
Toda noite ao terminar todas as atividades eu e Kike nos dirigiamos a um bar e tomavamos cada um uma cerveja paisa, ou seja, da terra paisa, antes da janta. Costumavamos conversar descontraidamente sobre o dia de trabalho que findava e principalmente sobre os rapazes atletas da Seleção. Ahhh Se faz necessário aclarar que paisa ê o termo designado aos nascidos na provincia de Antioquia. Ontem eu e Kike lembramos de uma passagem que ocorreu em uma dessas noites ao finalizar a agenda de trabalho.

EU ESTAVA COM KIKE DESFRUTANDO DE NOSSA CERVEJA E CONVERSAVAMOS ENTRETIDOS

QUANDO UM RAPAZ ASSUSTADO ADENTROU AO NOSSO BAR HABITUAL

ATRAS DESSE RAPAZ UM TAXISTA GRITANDO E EXIGINDO QUE O RAPAZ PASSAGEIRO LHE PAGASSE A VIAGEM FEITA. O CONDUTOR TAXISTA AMEAÇAVA SACAR O SEU REVOLVER. OS TAXISTAS NA COLOMBIA ERAM VITIMAS DE MUITOS ASSALTOS E ANDAVAM ARMADOS. TINHAM TAMBEM O HABITO DE COLOCAREM UM VIDRO PROTETOR E A PROVA DE BALAS ENTRE O BANCO DA FRENTE E O BANCO TRASEIRO DO CARRO.

TODOS PRESENTES PEDIRAM CALMA AO TAXISTA QUE EXIGIU UMA VEZ MAIS SEU DINHEIRO. O PASSAGEIRO NO ENTANTO REPETIA DIZENDO NAO TER DINHEIRO PARA PAGAR-LHE A VIAGEM. FINALMENTE O MOTORISTA EXIGIU QUE O PASSAGEIRO LHE ENTREGASSE UM DOS DOIS SAPATOS. O PASSAGEIRO DESESPERADO ENTREGOU UM SAPATO E O MOTORISTA EM SEGUIDA DIRIGIU-SE A CALÇADA E ARREMESSOU O SOLITARIO SAPATO SEM PÉ NO TELHADO DO EDIFICIO DE TRES ANDARES. ATO CONTINUO APANHOU SEU TAXI E DESAPARECEU. O PASSAGEIRO TAMBEM DEIXOU O BAR E FOI EMBORA.

DEPOIS DE TERMOS BEBIDO NOSSA CERVEJA, AO SAIRMOS DO BAR, UMA VEZ MAIS NOS DEPARAMOS COM O DESANIMADO PASSAGEIRO DE SAPATO E MEIA E NO MEIO DE UMA CHUVA TORRENCIAL, ESTE OLHAVA PARA O TETO A PROCURA DO SAPATO PERDIDO...
EU E O KIKE MIRAMOS UM PARA O OUTRO NESSE MOMENTO E APENAS NOS TOCOU RIR DO SUCEDIDO

Sempre quando viajava a Colombia Dom Jaime enviava-me a Antioquia. Sempre sabia que o amigo Kike la estaria aguardando por mim.
Kike hoje tem um filho não vidente que adora futsal. Conversamos muito sobre ele e espero um dia conhece-lo pessoalmente e treina-lo. Apesar dos problemas que existiam e ainda existem nesse país, a Colombia e Antioquia e sua acolhedora gente sempre foi e será para mim algo muito, mas muito especial mesmo.

Grande abraço amigo e Professor Kike

COLOMBIA - PARTE. VI

Viajei por varias provincias de Colombia, desde a fronteira com o Equador, com a Venezuela, próximo a selva amazônica, na costa Atlantica, no sul em Cali e pueblos cercanos, enfim, percorri esse país desde pequenos povoados a grandes cidades.
A última vez que estive tive a oportunidade de treinar por 30 dias a equipe de Pedro Carrero representando as forças armadas de Colombia. Rapazes como ANGELOT que lograram ser campeões nacionais juvenis nacionais por provincias com muitos méritos. Um dos melhores juvenis que treinei em minha vida. Confesso que foi uma alegria muito grande.
Atualmente há duas Federações oficiais, uma delas não está vinculada à FIFA e é a mais representativa. Está esta afiliada a Associação Mundial de Futsal onde possui varios titulos mundiais. A outra está vinculada à FIFA e é menos forte.

Aind há em muitas cidades o resquício da FIFUSA em torneios de bairro pois na realidade o que o colombiano ainda prefere jogar mesmo ê o micro que ê o futebol de salao antigo da FIFUSA.

Nessa confusao de regulamentos a paixao segue e perdura e perdurará.

Recomendo ir la e conheçam esse lindo país e o que tem de mais precioso. Seu povo. Como disse anteriormente.

NA COLOMBIA QUALQUER PESSOA JAMAIS FICARA ENTEDIADO OU ABURRIDO.

A COLOMBIA É O UNICO LUGAR DO MUNDO QUE O DIA NAO NOS DA A SENSAÇÃO DE TER 24 HORAS.

ATE LOGO COLOMBIA

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